O empreendedorismo brasileiro manteve ritmo forte no primeiro semestre de 2026. Dados do DataSebrae, elaborados a partir de informações do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita Federal, mostram que o Brasil registrou a abertura de 2,9 milhões de pequenos negócios entre janeiro e junho deste ano. O número representa crescimento de quase 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados cerca de 2,6 milhões de novos negócios.
O resultado reforça a importância dos micro e pequenos negócios para a economia brasileira e mostra que o empreendedorismo continua sendo uma alternativa buscada por milhões de brasileiros. Entre os novos empreendimentos, os microempreendedores individuais (MEIs) aparecem como principal porta de entrada para a formalização. Foram aproximadamente 2,25 milhões de novos MEIs no primeiro semestre, o equivalente a mais de 75% de todas as aberturas registradas no período.
O cenário também mostra uma forte concentração das novas empresas no setor de Serviços. Entre janeiro e junho, foram abertas 1.930.688 empresas nesse segmento, o equivalente a 64,4% do total de pequenos negócios criados no país. O Comércio aparece na segunda posição, com 600.428 novos empreendimentos, seguido pela Indústria, com 229.405, pela Construção, com 199.681, e pela Agropecuária, com 38.406.
Os números indicam que a criação de pequenos negócios continua diretamente ligada às transformações no mercado de trabalho, ao crescimento da prestação de serviços e à busca de alternativas de geração de renda. Ao mesmo tempo, o aumento das formalizações mostra que uma parcela significativa dos brasileiros continua encontrando no empreendedorismo um caminho para iniciar uma atividade econômica.
MEI continua sendo a principal porta de entrada
O Microempreendedor Individual continua ocupando uma posição central na abertura de novos negócios no Brasil.
Dos 2,9 milhões de pequenos negócios registrados no primeiro semestre, cerca de 2,25 milhões foram formalizados como MEI. Isso significa que mais de três quartos das novas empresas pertencem a essa categoria.
A preferência pelo MEI está relacionada, entre outros fatores, à possibilidade de formalização simplificada e às características desse modelo empresarial. Para muitas pessoas que trabalham por conta própria, a formalização representa uma maneira de transformar uma atividade informal em um negócio reconhecido legalmente.
O MEI também atende profissionais que trabalham individualmente em diferentes áreas, desde serviços de entrega e transporte até publicidade, beleza e diversas atividades ligadas ao comércio e à prestação de serviços.
A participação expressiva dos MEIs no total de novos negócios mostra que o empreendedorismo brasileiro continua sendo formado, em grande medida, por iniciativas de pequena escala.
Depois dos MEIs, as microempresas aparecem como a segunda categoria mais representativa. Foram 534 mil novas microempresas no primeiro semestre, correspondendo a aproximadamente 18% do total. Juntos, MEIs e microempresas responderam por quase 93% das novas atividades empreendedoras registradas no período.
Esse perfil ajuda a explicar por que as pequenas empresas têm tanta importância para a economia brasileira. Mesmo individualmente pequenas, quando consideradas em conjunto, representam milhões de empreendedores, trabalhadores, fornecedores e consumidores movimentando a economia.
Serviços lideram a abertura de empresas
O setor de Serviços foi o grande destaque do primeiro semestre.
Foram mais de 1,93 milhão de novos pequenos negócios no segmento, representando 64,4% das empresas abertas no período.
O resultado acompanha uma tendência observada ao longo de 2026.
No primeiro trimestre, por exemplo, o setor já havia registrado mais de 1 milhão de novos CNPJs, representando aproximadamente 65% dos pequenos negócios criados naquele período. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o crescimento foi de 14,7%.
A expansão dos Serviços está relacionada a uma economia cada vez mais baseada em atividades de atendimento, transporte, tecnologia, comunicação, beleza, consultoria e outras formas de prestação de serviços.
Para muitos empreendedores, iniciar um negócio nesse segmento também pode exigir um investimento inicial menor do que montar uma indústria ou uma operação comercial de grande porte.
Isso ajuda a explicar a presença tão forte dos Serviços entre os novos CNPJs.
Entre as atividades que mais aparecem nas novas empresas estão serviços de malote e entrega, transporte rodoviário de carga, publicidade e atividades relacionadas à beleza.
A expansão dessas atividades também mostra como mudanças no comportamento dos consumidores estão criando novas oportunidades para pequenos empreendedores.
O crescimento das compras pela internet, por exemplo, aumenta a necessidade de serviços de entrega e transporte. Ao mesmo tempo, empresas de diferentes tamanhos precisam de publicidade e comunicação para alcançar consumidores em um mercado cada vez mais competitivo.
Transporte e entregas ganham espaço
Entre as atividades mais procuradas pelos novos empreendedores estão os serviços de malote e entrega, que registraram aproximadamente 195 mil novos CNPJs no primeiro semestre.
O transporte rodoviário de carga aparece logo depois, com cerca de 185 mil novas empresas. Atividades de publicidade registraram aproximadamente 160 mil aberturas, enquanto cabeleireiros ficaram na sequência, com 136 mil novos negócios.
A presença de atividades ligadas à logística entre as principais opções de novos empreendedores acompanha a expansão do comércio eletrônico e das entregas rápidas.
A logística passou a ocupar um papel cada vez mais importante na relação entre empresas e consumidores.
Uma compra realizada pela internet depende de uma cadeia de operações que inclui armazenamento, separação, transporte e entrega. Esse processo abriu espaço para pequenos prestadores de serviços que atuam em diferentes etapas da logística.
O transporte rodoviário também continua sendo uma atividade importante para a economia brasileira devido à dimensão territorial do país e à dependência do transporte terrestre para movimentação de mercadorias.
Comércio aparece em segundo lugar
O Comércio registrou 600.428 novos pequenos negócios no primeiro semestre e ficou na segunda posição entre os setores com maior número de aberturas.
Apesar de enfrentar forte concorrência e mudanças provocadas pelo comércio eletrônico, o setor continua atraindo empreendedores.
A possibilidade de combinar lojas físicas, redes sociais, marketplaces e outros canais digitais também ampliou as alternativas para quem deseja começar uma atividade comercial.
Hoje, um pequeno empreendedor não necessariamente precisa montar uma loja tradicional para começar a vender.
É possível utilizar redes sociais, plataformas de comércio eletrônico e sistemas de pagamento digitais para alcançar consumidores de diferentes regiões.
Essa transformação reduziu algumas barreiras de entrada e criou novas possibilidades para negócios de pequeno porte.
Ao mesmo tempo, a concorrência ficou mais intensa.
O pequeno comerciante precisa lidar com empresas maiores, marketplaces e concorrentes que podem oferecer preços muito agressivos.
Por isso, abrir uma empresa é apenas o primeiro passo. A sobrevivência e o crescimento do negócio dependem de gestão, planejamento, controle financeiro e capacidade de adaptação.
Sudeste concentra maior número de novos negócios
A Região Sudeste continua liderando o número de novos pequenos negócios no Brasil.
Entre janeiro e junho, foram registradas 1.508.598 novas empresas na região. O número representa mais da metade de todas as aberturas registradas no país.
São Paulo aparece como principal destaque dentro do Sudeste, com 890 mil novos negócios.
A concentração está relacionada ao tamanho da população, à atividade econômica e à presença de grandes mercados consumidores na região.
O Sul aparece na segunda posição, com 561.289 novos negócios.
Depois vêm Nordeste, com 474.678, Centro-Oeste, com 296.159, e Norte, com 157.802.
Os dados mostram que o empreendedorismo está presente em todas as regiões do país, embora exista uma concentração maior nos grandes centros econômicos.
Pequenos negócios também são importantes para o emprego
O crescimento no número de empresas abertas precisa ser analisado junto com a capacidade dos pequenos negócios de gerar empregos.
As micro e pequenas empresas responderam por 543,5 mil novos empregos formais entre janeiro e junho de 2026, de um total de 921,6 mil vagas criadas no país no período. Isso significa que quase seis em cada dez novos postos de trabalho formais foram gerados por empresas desse porte.
O resultado reforça a importância dos pequenos negócios não apenas para a formalização de empreendedores, mas também para o mercado de trabalho.
A geração de empregos acontece principalmente em setores como Serviços, Comércio e Construção.
Somente em junho, as micro e pequenas empresas criaram 84,8 mil novas vagas, correspondendo a 58% do saldo de empregos formais daquele mês.
Esse desempenho ajuda a explicar por que o empreendedorismo é frequentemente associado à geração de renda e à movimentação da economia local.
Uma pequena empresa pode contratar funcionários, comprar de fornecedores, pagar serviços e movimentar o comércio da região onde está instalada.
Quando milhões dessas empresas são consideradas em conjunto, o impacto econômico se torna significativo.
Crescimento não significa ausência de desafios
Apesar dos números positivos, o aumento da abertura de empresas não significa que todos os novos negócios terão sucesso.
Abrir um CNPJ é diferente de manter uma empresa funcionando ao longo dos anos.
O empreendedor precisa lidar com custos, impostos, concorrência, crédito, fornecedores, clientes e mudanças econômicas.
Por isso, o crescimento das aberturas deve ser acompanhado também pela análise da sobrevivência das empresas.
Em algumas regiões e setores, o número de encerramentos pode crescer mesmo quando as novas empresas aumentam.
Em Minas Gerais, por exemplo, dados divulgados anteriormente pelo Sebrae mostraram que, no primeiro bimestre de 2026, o saldo de pequenos negócios caiu quase pela metade em relação ao mesmo período do ano anterior. O estado registrou 71.277 aberturas e 49.003 encerramentos.
Esse tipo de dado mostra que o ambiente empreendedor pode ser dinâmico: novas empresas surgem enquanto outras deixam o mercado.
A capacidade de sobreviver depende de uma combinação de fatores, incluindo planejamento, gestão financeira, acesso a crédito e demanda suficiente pelos produtos ou serviços oferecidos.
A importância do planejamento para quem quer empreender
O crescimento das formalizações pode estimular mais brasileiros a abrir uma empresa, mas especialistas recomendam que a decisão seja acompanhada de planejamento.
Antes de abrir um CNPJ, o empreendedor precisa conhecer o mercado, identificar o público-alvo, avaliar os custos e entender como o negócio irá gerar receita.
Também é necessário separar as finanças pessoais das empresariais.
Esse é um dos pontos que podem fazer diferença para a sobrevivência de pequenos negócios.
Misturar dinheiro da empresa com despesas pessoais dificulta o controle do caixa e pode levar o empreendedor a tomar decisões equivocadas.
Outro cuidado importante é conhecer as obrigações fiscais e administrativas relacionadas ao tipo de empresa escolhido.
No caso do MEI, por exemplo, existem regras específicas que precisam ser observadas.
A formalização facilita o acesso a determinados direitos e serviços, mas também cria responsabilidades que precisam ser cumpridas.
Crédito continua sendo um ponto importante
O acesso ao crédito é outro fator relevante para o desenvolvimento das pequenas empresas.
Muitos empreendedores precisam de recursos para comprar equipamentos, aumentar estoques, contratar funcionários ou investir em divulgação.
Porém, o custo do crédito pode influenciar diretamente a decisão de investir.
Taxas elevadas tornam os empréstimos mais caros e aumentam o risco para empresas que ainda estão começando.
Por isso, programas de crédito orientado e iniciativas de apoio aos pequenos negócios podem ter papel importante na expansão e na sobrevivência dessas empresas.
O próprio Sebrae vem destacando a importância do crédito assistido, que combina financiamento com orientação para gestão.
A ideia é reduzir o risco de o empreendedor assumir uma dívida sem possuir planejamento suficiente para pagá-la.
Confiança dos pequenos empresários apresenta melhora
Outro indicador relevante para entender o momento dos pequenos negócios é o nível de confiança dos empresários.
Em junho de 2026, o Índice de Confiança dos Micro e Pequenos Empresários, calculado pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas, chegou a 87,3 pontos, alta de 0,6 ponto em relação ao mês anterior.
A melhora foi impulsionada principalmente pelos setores de Comércio e Serviços.
O índice de situação atual também avançou, chegando a 90,2 pontos, enquanto o índice de expectativas alcançou 84,8 pontos.
Esses indicadores mostram que, apesar dos desafios, parte dos empresários percebe melhora nas condições atuais e mantém expectativas positivas para os meses seguintes.
A confiança é importante porque pode influenciar decisões de investimento, contratação e expansão.
Um empresário mais confiante tende a estar mais disposto a investir no próprio negócio.
Empreendedorismo feminino também ganha espaço
O crescimento dos pequenos negócios também envolve uma participação expressiva das mulheres.
Em 2025, mais de 2 milhões dos novos pequenos negócios registrados no país eram liderados por mulheres, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. O número representou cerca de 42% dos pequenos negócios abertos naquele ano.
O Rio de Janeiro apresentou a maior participação feminina na abertura de pequenos negócios entre os estados, com 44,3%.
O dado mostra que o empreendedorismo também tem se consolidado como uma alternativa importante para mulheres que buscam geração de renda e autonomia financeira.
Ainda existem desafios relacionados ao acesso a crédito, qualificação e crescimento dos negócios liderados por mulheres.
Mesmo assim, a participação feminina nos novos CNPJs mostra que o empreendedorismo brasileiro possui um perfil cada vez mais diversificado.
O que os números dizem sobre a economia brasileira
O crescimento de 12% na abertura de pequenos negócios no primeiro semestre de 2026 é um indicador importante sobre o comportamento da economia.
A formalização de 2,9 milhões de novas empresas demonstra que existe disposição para empreender e que diferentes setores continuam apresentando oportunidades.
Ao mesmo tempo, o número revela a importância dos pequenos negócios para a geração de renda e emprego.
A predominância dos Serviços mostra que a economia brasileira está criando oportunidades principalmente em atividades que dependem diretamente da prestação de serviços.
O avanço das entregas, do transporte, da publicidade e dos serviços de beleza também revela mudanças no comportamento dos consumidores e das empresas.
O comércio continua forte, enquanto a indústria, a construção e a agropecuária completam o cenário de novas atividades.
Segundo semestre pode manter ritmo de abertura
Com 2,9 milhões de pequenos negócios já registrados no primeiro semestre, o Brasil entra na segunda metade de 2026 com um ambiente empreendedor aquecido.
Se o ritmo observado nos primeiros seis meses continuar, o país poderá terminar o ano com um número ainda maior de novas empresas.
Mas o desafio não será apenas abrir novos CNPJs.
Será necessário criar condições para que esses negócios permaneçam ativos, cresçam e gerem empregos.
A combinação de acesso ao crédito, capacitação, digitalização, simplificação de processos e melhoria do ambiente de negócios pode contribuir para esse objetivo.
O crescimento da abertura de empresas mostra que existe disposição para empreender. A próxima etapa é transformar essa disposição em negócios sustentáveis.
Para o Brasil, isso significa mais renda, empregos, circulação de recursos e desenvolvimento econômico.
Para o empreendedor, significa a oportunidade de transformar uma ideia em uma atividade formal, mas também a responsabilidade de administrar o negócio com planejamento.
Os números divulgados pelo DataSebrae mostram, portanto, um cenário positivo para o empreendedorismo brasileiro. Foram 2,9 milhões de pequenos negócios abertos no primeiro semestre, crescimento de quase 12% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os MEIs continuam sendo a principal porta de entrada para a formalização, enquanto os Serviços concentram a maior parcela das novas empresas.
O Sudeste permanece na liderança, São Paulo se destaca entre os estados e atividades relacionadas a entregas, transporte, publicidade e beleza aparecem entre as principais escolhas dos novos empreendedores.
O resultado reforça o peso dos pequenos negócios na economia brasileira e mostra que, mesmo diante dos desafios, o brasileiro continua buscando no empreendedorismo uma alternativa para gerar renda e construir novas oportunidades.
O grande desafio, daqui para frente, será fazer com que esse número crescente de novos negócios também se traduza em empresas mais preparadas, produtivas e capazes de permanecer no mercado.
Portal Feras
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