Durante anos, investir em relógios da Rolex era considerado quase uma garantia de valorização no mercado de luxo. Mas esse cenário começa a mudar. A Cartier tem se destacado como a marca com maior valorização recente, redefinindo a dinâmica do setor.
Levantamento recente do mercado mostra que metade dos 20 relógios que mais se valorizaram desde 2018 são da Cartier, com modelos registrando altas de até 299% no período.
Rolex segue forte — mas com crescimento mais moderado
Apesar da mudança, a Rolex continua sendo uma das marcas mais sólidas e desejadas do mundo, com alta liquidez e forte reconhecimento global.
Modelos clássicos da marca ainda apresentam valorização relevante — como o Datejust, que subiu cerca de 59% no mesmo intervalo —, mas em ritmo mais moderado em comparação com a concorrente.
Especialistas apontam que parte dessa desaceleração ocorre porque os preços já estavam elevados antes, além de um ciclo recente de correção após o boom observado durante a pandemia.
O que explica a ascensão da Cartier
O avanço da Cartier está ligado a uma mudança clara no comportamento do consumidor de luxo.
A marca francesa apostou em design icônico e apelo estético, com modelos como Tank e Panthère ganhando destaque, especialmente entre consumidores mais jovens.
Além disso, fatores como:
- forte presença digital
- influência da cultura pop
- aumento da demanda por peças “instagramáveis”
ajudaram a impulsionar o interesse pela marca.
A visibilidade também cresceu com celebridades e influenciadores, ampliando o alcance para novas gerações.
Mercado de revenda impulsiona valorização
Outro fator decisivo é o crescimento do mercado secundário de relógios de luxo.
Nos últimos anos, peças usadas passaram a ser vistas como ativos de investimento, com valorização guiada por escassez, demanda e relevância cultural.
Nesse cenário, a Cartier ganhou protagonismo, deixando de ser coadjuvante para disputar espaço com gigantes tradicionais.
Mudança estrutural no luxo
O movimento indica uma transformação mais ampla no mercado de luxo.
Se antes o foco estava em tradição e engenharia, agora elementos como design, branding e conexão cultural passam a ter peso semelhante — ou até maior — na valorização dos produtos.
A tendência é que:
- modelos icônicos continuem valorizando
- peças menos desejadas tenham desempenho mais estável
Novo equilíbrio no mercado
A ascensão da Cartier não significa o fim da liderança da Rolex, mas aponta para um mercado mais equilibrado e competitivo.
Enquanto a Rolex mantém sua posição como símbolo de prestígio e estabilidade, a Cartier cresce como uma marca mais conectada às novas gerações e tendências culturais.
Portal Feras
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