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Quinta-feira, 27 de Agosto 2026

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Creatina pode ajudar no tratamento da depressão? Estudos apontam benefícios, mas especialistas fazem alerta.

Pesquisas indicam que o suplemento pode potencializar o tratamento da depressão em alguns pacientes, porém médicos reforçam que ele não substitui medicamentos nem acompanhamento especializado.

Creatina pode ajudar no tratamento da depressão? Estudos apontam benefícios, mas especialistas fazem alerta.
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A creatina é conhecida há décadas por frequentadores de academias e atletas como um dos suplementos mais utilizados para ganho de força e desempenho físico. Nos últimos anos, porém, ela passou a despertar o interesse de pesquisadores por outro motivo: seus possíveis benefícios para a saúde do cérebro.

Um número crescente de estudos vem investigando se a creatina pode contribuir para o tratamento de doenças neurológicas e transtornos psiquiátricos, entre eles a depressão. Os resultados mais recentes sugerem que o suplemento pode atuar como um aliado dos tratamentos convencionais, principalmente quando utilizado em conjunto com antidepressivos. Apesar do entusiasmo da comunidade científica, especialistas alertam que ainda são necessários estudos maiores antes que a substância passe a fazer parte das recomendações médicas para todos os pacientes.

A depressão é considerada uma das doenças que mais afetam a qualidade de vida no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de pessoas convivem diariamente com sintomas como tristeza persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono, fadiga, dificuldade de concentração e mudanças no apetite. Em muitos casos, o tratamento envolve psicoterapia, medicamentos antidepressivos e mudanças no estilo de vida. Mesmo assim, uma parcela significativa dos pacientes não responde adequadamente às terapias disponíveis, o que leva pesquisadores a buscar novas alternativas.

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Foi nesse contexto que a creatina passou a chamar atenção.

O que mostrou a nova pesquisa

Uma revisão de estudos publicada recentemente analisou pesquisas que investigaram a relação entre o consumo de creatina e os sintomas depressivos. Os autores observaram que, em parte dos trabalhos avaliados, pacientes que receberam suplementação apresentaram melhora dos sintomas quando comparados aos grupos que utilizaram apenas o tratamento convencional.

Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que a creatina não foi utilizada como substituta dos antidepressivos, mas sim como uma estratégia complementar. Em outras palavras, ela parece potencializar alguns efeitos do tratamento tradicional em determinados grupos de pacientes.

Outro ponto importante é que os benefícios não apareceram da mesma forma em todos os estudos. Algumas pesquisas encontraram resultados bastante positivos, enquanto outras observaram efeitos discretos ou não identificaram diferenças significativas. Essa variação demonstra que ainda não existe um consenso científico sobre o tema.

Por que a creatina pode beneficiar o cérebro?

Embora seja mais conhecida pelo papel desempenhado nos músculos, a creatina também está presente no cérebro.

Ela participa diretamente da produção de energia das células, ajudando na formação de ATP (adenosina trifosfato), molécula considerada a principal fonte energética do organismo. Esse mecanismo é essencial para o funcionamento adequado dos neurônios.

Alguns pesquisadores acreditam que pessoas com depressão podem apresentar alterações no metabolismo energético cerebral. A hipótese é que, ao aumentar a disponibilidade de energia para as células nervosas, a creatina poderia melhorar o funcionamento de regiões do cérebro envolvidas na regulação do humor.

Além disso, estudos sugerem que o suplemento pode influenciar processos relacionados à comunicação entre neurônios, reduzir o estresse oxidativo e contribuir para o equilíbrio de neurotransmissores, embora esses mecanismos ainda estejam sendo investigados.

Benefícios vão além da academia

Nos últimos anos, a creatina deixou de ser vista apenas como um suplemento voltado para atletas.

Diversas pesquisas têm avaliado seus possíveis efeitos em diferentes situações clínicas, incluindo:

  • Envelhecimento saudável;
  • Preservação da massa muscular em idosos;
  • Recuperação física;
  • Doenças neurodegenerativas;
  • Lesões cerebrais;
  • Desempenho cognitivo;
  • Transtornos psiquiátricos.

Em idosos, por exemplo, alguns estudos indicam que a suplementação associada à prática de exercícios pode ajudar na manutenção da força muscular e da autonomia. Já em pesquisas sobre cognição, há indícios de melhora em tarefas relacionadas à memória e ao raciocínio, especialmente em pessoas submetidas a privação de sono ou grande esforço mental.

Esses resultados ajudam a explicar por que a creatina passou a ser estudada também dentro da psiquiatria.

Ainda não existe indicação oficial para depressão

Apesar dos resultados promissores, especialistas reforçam que a creatina ainda não faz parte dos protocolos oficiais para tratamento da depressão.

Os estudos disponíveis apresentam diferenças importantes em relação à quantidade de participantes, tempo de acompanhamento, dosagem utilizada e perfil dos pacientes. Isso dificulta a comparação entre os resultados e impede conclusões definitivas.

Outro ponto é que a maior parte das pesquisas analisou o suplemento como complemento aos tratamentos convencionais. Ainda não existem evidências suficientes para afirmar que a creatina seja eficaz quando utilizada isoladamente.

Por isso, médicos alertam que nenhum paciente deve interromper medicamentos antidepressivos ou iniciar suplementação por conta própria acreditando que a creatina seja uma cura para a doença.

Alimentação também influencia a saúde mental

A relação entre alimentação e saúde mental vem sendo cada vez mais estudada pela ciência.

Pesquisas apontam que dietas ricas em frutas, verduras, legumes, peixes, oleaginosas e alimentos minimamente processados estão associadas a menores índices de depressão e ansiedade.

Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e produtos com alto teor de gordura saturada pode favorecer processos inflamatórios que também afetam o funcionamento cerebral.

Nesse cenário, a creatina surge como mais um elemento que pode integrar estratégias nutricionais voltadas à saúde mental, sempre sob orientação de profissionais.

Quem deve tomar creatina?

A popularização do suplemento fez crescer o número de pessoas que iniciam o consumo sem qualquer acompanhamento.

Embora a creatina seja considerada segura para a maioria dos adultos saudáveis quando utilizada nas doses recomendadas, existem situações que exigem avaliação médica.

Pessoas com doenças renais, problemas hepáticos, gestantes, lactantes e indivíduos com condições clínicas específicas devem conversar com um médico antes de iniciar qualquer suplementação.

Além disso, a qualidade do produto escolhido também faz diferença. Especialistas recomendam optar por suplementos registrados nos órgãos competentes e produzidos por fabricantes reconhecidos.

O futuro das pesquisas

Os pesquisadores acreditam que os próximos anos serão decisivos para entender o verdadeiro papel da creatina na saúde mental.

Novos estudos, com maior número de participantes e acompanhamento por períodos mais longos, deverão esclarecer quais pacientes podem se beneficiar mais da suplementação, qual é a dose ideal e por quanto tempo o produto deve ser utilizado.

Também há interesse em investigar se o suplemento pode ajudar em outros transtornos psiquiátricos, como ansiedade, transtorno bipolar e estresse pós-traumático.

Embora ainda não existam respostas definitivas, o crescente volume de pesquisas mostra que a creatina deixou de ser apenas um suplemento esportivo para se tornar um tema relevante também dentro da medicina.

A orientação médica continua sendo essencial

Os especialistas são unânimes em afirmar que a depressão é uma doença complexa e multifatorial, que exige diagnóstico correto e tratamento individualizado.

A creatina pode representar uma ferramenta promissora para complementar esse tratamento no futuro, mas não substitui acompanhamento psicológico, avaliação psiquiátrica, medicamentos quando indicados e hábitos saudáveis.

Qualquer decisão sobre suplementação deve ser tomada em conjunto com profissionais de saúde, levando em consideração o histórico clínico, o estado geral do paciente e as evidências científicas disponíveis.

Enquanto novas pesquisas avançam, a principal mensagem continua sendo a mesma: buscar ajuda especializada é o caminho mais seguro para quem enfrenta a depressão.

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Marina Ribeiro - Repórter Rio de Janeiro

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Marina Ribeiro - Repórter Rio de Janeiro

Marina Ribeiro - Repórter do Rio de Janeiro

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