A previsão de uma safra recorde de grãos no Brasil tem evidenciado um problema estrutural no agronegócio: a falta de capacidade para armazenar toda a produção. Atualmente, o país enfrenta um déficit de cerca de 134 milhões de toneladas em armazenagem, o que significa que a infraestrutura disponível consegue guardar apenas 61,7% dos grãos produzidos.
Esse cenário ocorre porque a produção agrícola vem crescendo em ritmo mais acelerado do que a expansão dos armazéns e silos. Como consequência, durante o período de colheita há grande pressão sobre o sistema logístico, especialmente no transporte e no escoamento da safra.
A situação é ainda mais crítica em regiões de rápida expansão agrícola, como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a capacidade de armazenagem cobre menos da metade da produção. Em estados líderes na produção, como Mato Grosso, também há deficiência de estrutura para guardar os grãos.
Com a falta de espaço adequado, muitos produtores acabam utilizando caminhões como armazenamento temporário, o que aumenta a demanda por transporte e eleva os custos de frete. Em alguns momentos, os preços do transporte chegaram a subir significativamente devido à alta concentração de grãos sendo colhidos ao mesmo tempo.
Além do impacto logístico, a ausência de estruturas adequadas também pode comprometer a qualidade da produção, principalmente no caso da soja, que é mais sensível ao armazenamento inadequado. Isso aumenta o risco de perdas e de desvalorização do produto.
Entre os principais obstáculos para ampliar a armazenagem nas propriedades rurais estão o acesso limitado ao crédito, os juros elevados e a necessidade de mão de obra especializada para operar esse tipo de estrutura. Por isso, muitos produtores ainda dependem de armazéns de terceiros ou de soluções temporárias, como os chamados silo bags.
Portal Feras
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