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Sábado, 06 de Junho 2026

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Abin alertou sobre risco de invasão aos Três Poderes, diz ex-diretor ao STF

Saulo Moura da Cunha afirmou que relatórios enviados ao governo falavam em manifestantes armados e intenção de invadir prédios públicos

Abin alertou sobre risco de invasão aos Três Poderes, diz ex-diretor ao STF
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O ex-diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Saulo Moura da Cunha afirmou nesta terça-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o órgão alertou o governo federal, antes dos atos de 8 de janeiro de 2023, sobre o risco de invasão ao Congresso Nacional e a outros prédios da Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Segundo Cunha, a agência enviou ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), no dia 6 de janeiro, um alerta sobre a presença de manifestantes com acesso a armas e intenções de promover ações violentas. O Sisbin é composto por órgãos como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), os centros de inteligência das Forças Armadas, o Ministério da Defesa e o Ministério da Justiça.

Ao ser questionado sobre qual teria sido o alerta mais contundente, Cunha respondeu que ele foi enviado no dia 6 de janeiro às 19h40 e disse que ele afirmava o seguinte:

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“Destaca-se a convocação, por parte de organizadores de caravanas, para o deslocamento de manifestantes com acesso a armas e sua intenção manifesta de invadir o Congresso Nacional ou outros edifícios na Esplanada, que também poderiam ser alvo de ações violentas. Esse alerta foi emitido para o Sistema Brasileiro de Inteligência”, afirmou Cunha.

O ex-diretor depôs como testemunha de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, no processo que apura um suposto plano de golpe de Estado após a eleição de 2022.

Ele afirmou ainda que o primeiro alerta da Abin foi emitido no dia 2 de janeiro, e que a agência continuou encaminhando relatórios ao longo da semana. Apesar disso, segundo ele, a Abin só teve real dimensão da mobilização na véspera dos atos, quando identificou a chegada de ônibus à capital federal.

“Emitimos vários chamados alertas de inteligência, o primeiro deles foi feito no dia 2 e esses alertas foram encaminhados a um grupo do sistema brasileiro de inteligência, formado pelo GSI, pelos centros de inteligência das três forças armadas, dos ministérios da Defesa e para uma secretaria do Ministério da Justiça”, complementou.

Cunha também declarou que a Abin não foi informada por órgãos federais ou distritais sobre os acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília. Ainda assim, a agência produziu relatórios sobre esses acampamentos e enviou ao governo de transição.

“No governo de transição, encaminhamos relatórios sobre as manifestações extremistas não só em Brasília, mas também em outros acampamentos de grande porte, como no Rio de Janeiro”, declarou.

O ex-diretor relatou ainda que a Abin só teve clareza sobre o tamanho da mobilização na véspera dos atos, quando foi identificada a chegada de ônibus com manifestantes à capital federal. A agência tomou conhecimento da movimentação rumo à Esplanada dos Ministérios apenas às 9h do domingo, dia 8.

 

 

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