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Sexta-feira, 05 de Junho 2026

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Diabetes tipo 1 é mais grave em crianças e exige diagnóstico precoce, alertam especialistas

Metabolismo acelerado e diagnóstico tardio aumentam risco de complicações na infância

Diabetes tipo 1 é mais grave em crianças e exige diagnóstico precoce, alertam especialistas
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A diabetes tipo 1 pode ser uma condição particularmente desafiadora quando surge na infância. A doença costuma evoluir de forma mais rápida nas crianças e exige cuidados constantes por muitos anos, aumentando o risco de complicações ao longo da vida.
Segundo o pediatra Rosalvo Streit Junior, da clínica EVO, a diabetes tipo 1 é uma doença crônica e autoimune que destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Como o diagnóstico pode ocorrer ainda na infância, o paciente passa mais tempo exposto às possíveis complicações.

“Quanto mais cedo a doença aparece, maior o período em que a criança ficará sujeita às complicações. Além disso, nas crianças a destruição das células beta do pâncreas tende a ser mais rápida e agressiva”, explica.

Outro fator importante é o metabolismo infantil. De acordo com o médico, o organismo das crianças funciona de forma mais acelerada, o que pode fazer com que a falta de insulina provoque descompensações em menos tempo.

O pediatra João Lucas Alto e Franco, do Hospital Brasília, destaca que a diabetes tipo 1 ocorre quando o próprio sistema imunológico destrói as células que produzem insulina. Sem o hormônio, o açúcar permanece no sangue em níveis elevados, aumentando o risco de complicações metabólicas.

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“Em muitos casos, o diagnóstico ainda não foi feito quando os primeiros sintomas aparecem. Isso faz com que algumas crianças cheguem ao hospital já com um quadro mais grave chamado cetoacidose diabética”, afirma.

Essa condição acontece quando o organismo, sem conseguir usar glicose como fonte de energia, passa a utilizar gordura e produzir substâncias chamadas cetonas, que tornam o sangue mais ácido. O quadro pode provocar desidratação, vômitos e alterações respiratórias, exigindo atendimento médico imediato.

O nutrólogo Marcio Passos, que atende em Sergipe, explica que a ausência de produção adequada de insulina na diabetes tipo 1 faz com que o organismo fique mais vulnerável a complicações, especialmente quando comparado à diabetes tipo 2.

“Na diabetes tipo 1 a produção de insulina é insuficiente porque as células beta pancreáticas são destruídas. Isso aumenta o risco de descompensações metabólicas, além de elevar o risco cardiovascular e de outras complicações ao longo da vida”, afirma.

Sinais que podem indicar a diabetes tipo 1

Os especialistas alertam que os primeiros sintomas da doença podem ser confundidos com situações comuns da infância, o que atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicações.

Entre os sinais mais frequentes estão sede excessiva, aumento do volume de urina, fome constante e perda de peso sem explicação. Em alguns casos, a criança também pode apresentar irritabilidade, cansaço ou voltar a fazer xixi na cama após já ter parado.

De acordo com Rosalvo, os pais devem procurar avaliação médica sempre que perceberem mudanças persistentes nesse tipo de comportamento.

“Quando o diagnóstico é feito precocemente, é possível iniciar o tratamento com insulina e reduzir muito o risco de complicações graves, como a cetoacidose diabética”, afirma.

Desafios do tratamento na infância

Controlar a diabetes tipo 1 durante a infância também envolve desafios adicionais. O tratamento exige medições frequentes da glicemia, aplicação diária de insulina, acompanhamento médico e mudanças na alimentação e no estilo de vida.

Segundo João Lucas, a criança depende fortemente da família para manter a rotina de cuidados.

“A participação dos pais e de outros cuidadores é fundamental. Situações comuns do dia a dia, como festas, prática de esportes ou mudanças na rotina, podem interferir no controle da glicemia”, explica.

Para Marcio, outro obstáculo importante é a adaptação ao tratamento em ambientes onde há grande oferta de alimentos ricos em açúcar e carboidratos, o que pode dificultar a adesão das crianças.

Por isso, os especialistas reforçam que informação, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo são essenciais para reduzir o risco de complicações e garantir melhor qualidade de vida às crianças com diabetes tipo 1.

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