A decisão do governo federal de acabar com a chamada “taxa das blusinhas” provocou forte reação de entidades ligadas à indústria e ao varejo nacional. Representantes do setor afirmam que a medida favorece plataformas estrangeiras e aumenta a concorrência desigual contra empresas brasileiras.
A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zera o imposto de importação federal sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas. Com isso, produtos comprados em sites estrangeiros voltarão a ter apenas a cobrança do ICMS estadual, atualmente em 17%.
Indústria fala em ameaça a empregos e produção nacional
Entidades como a Confederação Nacional da Indústria, Associação Brasileira do Varejo Têxtil, Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção criticaram duramente a decisão.
Segundo os representantes do setor, o fim da tributação pode:
- Favorecer plataformas estrangeiras
- Prejudicar pequenos e médios negócios brasileiros
- Reduzir investimentos na indústria nacional
- Aumentar fechamento de empresas
- Colocar empregos em risco
A CNI classificou a medida como um “retrocesso” e afirmou que a taxação criada anteriormente ajudava a equilibrar a concorrência entre produtos importados e nacionais.
Governo aposta em popularidade e redução de preços
O governo defende que a medida beneficia consumidores e reduz o custo das compras internacionais online.
A decisão também tem forte impacto político, já que a “taxa das blusinhas” vinha sendo alvo de críticas populares desde sua implementação. Pesquisas mostraram alta rejeição à cobrança entre consumidores brasileiros.
Segundo o Ministério da Fazenda, a reorganização do programa Remessa Conforme permitiu maior controle sobre o comércio eletrônico internacional, o que abriu espaço para a retirada do imposto federal sobre compras menores.
Governo pode perder quase R$ 10 bilhões
A estimativa do próprio governo é de que o fim da taxa gere perda de arrecadação próxima de R$ 9,7 bilhões nos próximos três anos.
Somente entre agosto de 2024 e abril de 2026, o imposto havia arrecadado cerca de R$ 9,6 bilhões, segundo dados da Receita Federal.
Enquanto consumidores comemoram a redução nos custos das compras internacionais, empresários brasileiros afirmam que a medida pode aumentar ainda mais a pressão sobre o varejo nacional em um cenário já marcado por juros elevados e desaceleração econômica.
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