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Segunda-feira, 26 de Outubro 2026

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Giovanna Antonelli apostou em esmalte que era o menos vendido e transformou a cor em fenômeno de vendas

Estratégia adotada pela atriz levou uma cor azul, que tinha baixa procura, para uma novela e resultou na venda de mais de 20 milhões de frascos

Giovanna Antonelli apostou em esmalte que era o menos vendido e transformou a cor em fenômeno de vendas
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Uma das principais apostas comerciais de Giovanna Antonelli começou justamente com um produto que, segundo os dados disponíveis na época, tinha pouca aceitação entre os consumidores. Em uma reunião com uma marca de esmaltes que representava, a atriz perguntou qual era a cor menos vendida. A resposta foi o azul. Em vez de evitar o produto de baixa saída, ela decidiu apostar justamente naquela tonalidade.

A estratégia ganhou força porque Giovanna estava atuando em uma novela e levou o esmalte azul para sua personagem. A cor passou a fazer parte da trama, ganhou exposição e chegou às lojas. O resultado surpreendeu a própria indústria: segundo a atriz, foram vendidos mais de 20 milhões de frascos.

O episódio foi contado por Giovanna durante sua participação no Hotmart FIRE 2026, realizado em Belo Horizonte. Para a empresária, a experiência representa uma das principais lições que carrega para seus negócios: em um mercado disputado, nem sempre a melhor estratégia é seguir aquilo que já está funcionando para todo mundo.

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A aposta no esmalte azul se tornou uma espécie de referência para as decisões empresariais da atriz. Giovanna afirma que, diante de um novo projeto, costuma se perguntar onde está o seu próximo “esmalte azul”, ou seja, qual produto, conteúdo ou escolha pode romper o padrão e chamar a atenção do público.

Esmalte azul
Esmalte azul

A lógica é especialmente relevante em um ambiente no qual marcas, empresas e criadores de conteúdo disputam diariamente a atenção dos consumidores. Com as redes sociais, a quantidade de conteúdo disponível aumentou de forma significativa e tornou mais difícil conquistar espaço apenas com publicidade ou distribuição.

Para Giovanna, ter um bom produto continua sendo importante, mas não é suficiente. A forma como esse produto é apresentado, a história construída ao seu redor e a capacidade de gerar identificação também passaram a ter peso na decisão de compra.

O caso do esmalte azul mostra como a exposição de um produto dentro de uma narrativa pode modificar sua percepção junto ao público. Uma cor que tinha baixa saída ganhou visibilidade ao aparecer associada a uma personagem de televisão e acabou se transformando em um fenômeno comercial.

A própria atriz resumiu a experiência durante a palestra ao defender a necessidade de assumir riscos. Para ela, fugir do caminho mais óbvio pode ser justamente o que permite encontrar uma oportunidade que os concorrentes não estão enxergando.

Da televisão para os negócios

A trajetória empresarial de Giovanna Antonelli está diretamente relacionada à sua carreira na televisão. A atriz construiu uma imagem reconhecida pelo público brasileiro ao longo de décadas e transformou parte dessa visibilidade em novas oportunidades comerciais.

Um dos episódios apresentados por ela durante o evento também aconteceu no início da carreira. Antes de ter telefone em casa, Giovanna utilizava um orelhão próximo de onde morava para ligar repetidamente para a produção de uma novela. O objetivo era conseguir um teste para uma personagem que acreditava que poderia interpretar.

Depois de várias tentativas, conseguiu realizar o teste, mas recebeu uma resposta negativa. Segundo o relato da atriz, a produção considerava que ela tinha talento e dedicação, mas não correspondia ao perfil inicialmente imaginado para a personagem.

A situação mudou algumas semanas depois, quando a produção modificou a concepção do papel. A personagem passou a exigir alguém com uma aparência diferente da inicialmente pensada, e Giovanna acabou escolhida para interpretar Capitu, em “Laços de Família”.

A experiência, segundo ela, reforçou a importância de insistir e aproveitar as oportunidades mesmo quando o primeiro resultado não é positivo.

Décadas depois, a atriz encontrou nas redes sociais uma nova frente de atuação. Depois de construir uma carreira consolidada na televisão e em campanhas publicitárias, passou a produzir conteúdo diretamente para seus seguidores.

Atualmente, Giovanna Antonelli tem mais de 50 milhões de seguidores em suas redes sociais. A atriz considera que a mudança alterou sua relação com o público, já que deixou de depender exclusivamente dos personagens para estabelecer uma comunicação direta com as pessoas.

Essa transição também trouxe um novo desafio: aprender novamente. Para Giovanna, começar a produzir vídeos, entender as linguagens digitais e testar formatos exigiu aceitar a condição de iniciante mesmo depois de anos de carreira.

A experiência representa uma transformação que também atinge empresas tradicionais. Profissionais e marcas que construíram suas trajetórias antes da expansão das redes sociais precisaram aprender a produzir conteúdo, interagir diretamente com consumidores e construir comunidades digitais.

A importância da história por trás do produto

Outro exemplo apresentado por Giovanna durante o Hotmart FIRE envolve uma pulseira utilizada pela personagem Jade, interpretada por ela na novela “O Clone”.

Durante as gravações da novela, a atriz viu uma mulher usando um acessório no Marrocos e sugeriu que ele fosse incorporado à personagem. A ideia, porém, foi além de simplesmente colocar a peça no figurino.

Como a mãe de Jade morria no início da história, Giovanna propôs que a pulseira aparecesse primeiro no braço da mãe e depois fosse passada para a filha. O acessório passou a ter uma função dentro da narrativa.

A pulseira acabou se popularizando no Brasil. Para a atriz, o episódio mostrou que o consumidor não estava interessado apenas no objeto em si, mas também na história associada a ele.

Essa percepção se tornou um dos pilares da visão empresarial de Giovanna. Para ela, uma marca pode ter um produto de qualidade, mas precisa também construir uma narrativa capaz de gerar identificação.

A estratégia é particularmente importante no ambiente digital, onde produtos semelhantes podem ser encontrados com facilidade e os consumidores recebem diariamente uma grande quantidade de ofertas.

Nesse cenário, contar uma história pode ajudar uma empresa a diferenciar sua marca, criar vínculo com o público e transformar um produto em algo que tenha significado além de sua função original.

Começar pequeno também faz parte da estratégia

A atuação de Giovanna no ambiente digital também levou à criação de produtos e projetos próprios. Segundo o relato apresentado no evento, sua entrada nesse mercado começou em uma estrutura pequena, com poucas pessoas e um celular.

Um dos primeiros projetos foi uma plataforma voltada ao desenvolvimento pessoal e profissional. Em vez de iniciar com uma grande operação, a estratégia adotada foi testar a ideia em pequena escala, observar os resultados e fazer ajustes antes de ampliar o negócio.

A lógica de testar, errar, aprender e melhorar foi apresentada pela atriz como parte importante de sua maneira de empreender.

O método contrasta com a ideia de que novos negócios precisam começar com grandes estruturas. Para Giovanna, mesmo tendo experiência em grandes produções televisivas, não havia necessidade de iniciar um empreendimento digital em escala máxima.

Essa abordagem também é utilizada por startups e empresas que trabalham com desenvolvimento de produtos. A validação de uma ideia antes de grandes investimentos pode permitir que empreendedores identifiquem problemas, compreendam o comportamento dos consumidores e ajustem a oferta.

Ao longo do tempo, novos produtos foram incorporados aos projetos da atriz, que também passou a realizar eventos presenciais. Um deles reuniu quase 3 mil mulheres em São Paulo.

A trajetória mostra como uma carreira construída na televisão pode ser transformada em uma plataforma de negócios quando existe uma estratégia para utilizar a audiência de maneira direta.

Audiência também é ativo empresarial

A experiência de Giovanna Antonelli reforça uma mudança no mercado de comunicação e consumo. Durante décadas, a televisão foi uma das principais ferramentas para que artistas construíssem reconhecimento nacional.

Hoje, as redes sociais permitem que personalidades, empresas e criadores mantenham uma relação contínua com seus públicos.

No caso da atriz, essa mudança representou a possibilidade de aparecer para os seguidores não apenas por meio de personagens, mas também como ela própria.

Essa relação direta cria oportunidades comerciais, mas também aumenta a responsabilidade sobre a construção da imagem. Uma audiência numerosa, por si só, não garante que um produto será vendido.

Para Giovanna, antes de comprar um projeto, um produto ou um serviço, o consumidor precisa confiar em quem está apresentando aquela oferta.

A construção dessa confiança é um dos elementos centrais da chamada creator economy, mercado que reúne criadores capazes de transformar audiência, conteúdo e conhecimento em negócios.

O Hotmart FIRE 2026, evento no qual Giovanna apresentou sua experiência, é dedicado justamente a esse segmento. A edição realizada entre 10 e 12 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte, reuniu cerca de 10 mil participantes, mais de 140 palestrantes, cinco palcos e mais de 100 horas de programação, segundo a Hotmart.

A programação abordou temas como inteligência artificial, tecnologia, marketing, produção de conteúdo e novos modelos de negócios digitais. A inteligência artificial teve destaque na edição, acompanhando uma transformação que também vem afetando a produção e comercialização de produtos digitais.

Segundo dados apresentados pela Hotmart e citados pela Exame, entre agosto de 2025 e julho de 2026, produtos digitais relacionados à inteligência artificial movimentaram mais de R$ 200 milhões em volume bruto de vendas na plataforma. Mais de 5.500 empreendedores venderam produtos relacionados à IA para aproximadamente 550 mil compradores únicos no período.

Nesse contexto, a experiência de Giovanna Antonelli se conecta a uma discussão maior sobre como empresas e profissionais podem disputar atenção em um ambiente cada vez mais fragmentado.

O “esmalte azul” como conceito de negócio

A principal lição apresentada pela atriz pode ser resumida na ideia de encontrar o próprio “esmalte azul”. O conceito não se limita à escolha de uma cor de produto.

Trata-se de identificar aquilo que pode diferenciar uma empresa, uma marca ou um profissional em um mercado no qual muitas ofertas são semelhantes.

No caso de Giovanna, o produto tinha uma característica clara: era justamente o esmalte que menos vendia. A aposta ganhou força porque foi colocada dentro de uma história que alcançava milhões de pessoas por meio da televisão.

O resultado mostra que uma informação negativa — baixa venda — também pode ser interpretada de outra maneira. Em determinadas situações, um produto pouco procurado pode representar uma oportunidade de diferenciação.

A estratégia, porém, não significa simplesmente escolher aquilo que não funciona. O diferencial está em compreender por que determinado produto tem baixa procura, identificar uma oportunidade e encontrar uma maneira de reposicioná-lo.

Foi o que aconteceu com o esmalte azul na experiência relatada por Giovanna. A cor ganhou um novo contexto e passou a ser apresentada ao consumidor de uma maneira diferente.

A história também evidencia a força da integração entre conteúdo e produto. A novela funcionou como espaço de exposição e ajudou a criar uma associação entre a personagem e o esmalte.

Para empresas que atuam atualmente nas redes sociais, a lógica pode ser adaptada para vídeos, campanhas, influenciadores, personagens, experiências e outros formatos capazes de inserir produtos dentro de narrativas que façam sentido para o público.

No fim, a trajetória apresentada por Giovanna Antonelli no Hotmart FIRE mostra uma empresária que utiliza experiências da própria carreira para formular estratégias de negócios. O esmalte azul, que começou como uma aposta em uma das cores menos vendidas, tornou-se um exemplo de como diferenciação, narrativa e exposição podem mudar a trajetória de um produto.

Mais do que os 20 milhões de frascos vendidos, o episódio passou a representar uma pergunta que a própria atriz afirma levar para seus novos projetos: onde está o próximo “esmalte azul”?

Para empresas e empreendedores, a resposta pode estar em um produto pouco explorado, em uma nova forma de contar uma história ou simplesmente na disposição de testar uma ideia que, inicialmente, parece fugir do caminho mais seguro.

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Marina Ribeiro - Repórter Rio de Janeiro

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Marina Ribeiro - Repórter Rio de Janeiro

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