A Porto Seguro e o grupo Fleury desistiram de realizar um aporte de R$ 1 bilhão na Oncoclínicas. A decisão foi comunicada nesta segunda-feira (13) após cerca de 30 dias de negociações entre as empresas.
A desistência ocorre em um momento delicado para a rede de oncologia, que enfrenta dificuldades financeiras e busca alternativas para reforçar seu caixa.
Empresa recorre à Justiça para se proteger de credores
Também nesta segunda-feira, a Oncoclínicas informou ao mercado que entrou com um pedido de tutela cautelar no Tribunal de Justiça de São Paulo para tentar evitar a pressão de credores e garantir a continuidade das operações.
A medida busca impedir que dívidas sejam cobradas de forma antecipada enquanto a companhia tenta reorganizar sua situação financeira.
Problemas de caixa pressionam operação
Com mais de 140 unidades espalhadas por cerca de 47 regiões do país, a empresa afirma que enfrenta dificuldades para manter o fluxo de caixa necessário para a compra de medicamentos e a continuidade dos tratamentos.
Segundo a companhia, parte do problema está na relação com operadoras de planos de saúde. A rede afirma que essas empresas têm se recusado a antecipar pagamentos ou permitir a cessão de recebíveis a instituições financeiras — mecanismo que normalmente ajuda a gerar liquidez no curto prazo.
Sem acesso a esses recursos, a empresa diz que o caixa fica pressionado, afetando a capacidade de manter o fornecimento regular de medicamentos.
Prejuízo bilionário em 2025
A situação financeira da rede já vinha sendo pressionada. O balanço divulgado recentemente mostrou que a empresa registrou prejuízo de cerca de R$ 3,7 bilhões em 2025, agravando o cenário de endividamento.
Entre os fatores que contribuíram para o resultado negativo estão perdas relacionadas a aplicações financeiras e problemas com recebíveis de operadoras de saúde.
Setor acompanha crise com atenção
A crise da Oncoclínicas tem chamado atenção no mercado de saúde privada, já que a companhia é uma das maiores redes especializadas em oncologia do país.
Especialistas apontam que a situação pode influenciar debates sobre financiamento da saúde suplementar, modelo de pagamentos entre hospitais e operadoras e sustentabilidade financeira do setor.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se