Em um marco histórico para a medicina experimental, cirurgiões na China realizaram o primeiro transplante de um pulmão de porco geneticamente modificado em um ser humano. O procedimento foi realizado em maio de 2024 em um paciente de 39 anos com morte cerebral, e o órgão permaneceu funcional por nove dias, conforme divulgado nesta segunda-feira (25).
O pulmão foi retirado de um porco cujos genes foram editados para reduzir a rejeição imunológica. No procedimento, três genes do animal foram silenciados e três genes humanos foram inseridos. O órgão foi transplantado no lado esquerdo do tórax do paciente, que ainda mantinha o pulmão direito funcional. Para evitar a rejeição, os médicos utilizaram uma combinação robusta de imunossupressores.
Embora não tenha ocorrido rejeição hiperaguda logo após o transplante, sinais de inflamação e edema apareceram já nas primeiras 24 horas. A partir do terceiro dia, foram detectadas reações imunológicas que causaram danos ao pulmão transplantado, embora o órgão tenha apresentado leve recuperação até o nono dia, quando o experimento foi interrompido a pedido da família.
Especialistas consideram o procedimento um avanço importante no campo da xenotransplantação — o transplante de órgãos entre espécies — e uma esperança para reduzir a escassez de doadores de pulmão. No entanto, ressaltam que os desafios permanecem grandes, especialmente porque os pulmões são órgãos altamente sensíveis, expostos constantemente ao ambiente e suscetíveis a respostas imunológicas intensas.
O experimento também demonstra que, mesmo diante de tantas dificuldades, órgãos complexos como os pulmões podem sobreviver temporariamente em um organismo humano. Apesar do marco, os cientistas alertam que o caminho até a aplicação em pacientes vivos ainda é longo e exigirá novos estudos e aperfeiçoamento das técnicas
Portal Feras